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Sexta-feira, Julho 31, 2009
Sinais dos Tempos
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Quinta-feira, Julho 30, 2009
Parece que Obama gostou mesmo do jeitinho "Lula" de ser. E, no melhor estilo "aqui tudo acaba em pizza", lançou a versão yankee: cooling off after a few beers, como disse o "Los Angeles Times". O vice -presidente, o professor universitário preso por engano, o policial que efetuou a prisão e o próprio Mr. President aparando as arestas na Casa Branca. Será que ele não está precisando de um presidente de Senado?
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Quinta-feira, Junho 11, 2009
Vou sumarizar uma historinha que tinha num dos livros que lecionei. Um homem estava no mercado e encontrou-se com a Morte. Ele, muito assustado, correu para a casa de seu patrão e pediu licença para viajar para a casa de seu pai em Bagdá, pois se encontrara com a Morte no mercado. O patrão consentiu, mas foi até o mercado para tirar a história a limpo. Ao chegar lá, encontrou um homem vestido de preto e indagou se fora ele quem tinha assustado seu empregado. A Morte perguntou quem era o empregado e, ao ouvir seu nome, assustou-se. “Engraçado que ele esteja aqui”, disse ele(a). “Eu tenho um encontro com ele esta noite, em Bagdá.” Isso me veio à memória ao ler o trecho a seguir no portal do UOL. “A italiana Johanna Ganthaler, que "sobreviveu" ao acidente com o Airbus da Air France por ter perdido o voo 447, morreu em um acidente de carro na Áustria. Segundo a agência Ansa, o marido dela, Kurt Ganthaler, que também viajaria do Rio a Paris na aeronave, ficou seriamente ferido.”
Fica aqui o registro, sem maiores comentários, só para a reflexão.
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Quinta-feira, Junho 04, 2009
Um encontro entre torcedores de Corinthians e Vasco, reforçado por palmeirenses, terminou com a morte de um corintiano nesta quarta-feira, em São Paulo....Diferentemente do que foi informado anteriormente, ele não foi assassinado a tiros e sim a pauladas e facadas e já chegou morto ao Hospital de Santana, para onde também foram levados oito feridos. (www.globo.com). Um fenômeno interessante de se observar é o da “inculpabilidade coletiva”. A primeira vez que vi ou li isso foi num estudo feito por psicólogos norte-americanos sobre os excessos violentos nas comemorações de títulos do basquetebol universitário naquele país. Eles explicam que as pessoas perdem a noção de culpa, pois o ato foi feito coletivamente, excluindo, assim, a ética comportamental individual. Pópará! Que raio de ética é essa que me faz um anjo solitário e um diabo no coletivo? Como não fui “eu” quem fez a ação, o “nós” me isenta da culpa? Mais um nó dentre os vários nós da mal traçada trama que compõe o ser humano.
Isso me veio à memória ao ler os lamentáveis incidentes pré e pós jogo entre Corinthians e Vasco (with a litlle help from the palmeirenses) citados acima. O brasileiro se auto-intitula pacífico e “boa praça” por natureza e vai sediar uma Copa do Mundo. É isso aí. Pra frente, Brasil!
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Domingo, Maio 03, 2009
Olá!
Herbert Marshall McLuhan cunhou a famosa idéia de que uma imagem vale por mil palavras. Vou economizar meus dedos e deixá-los com a reflexão.
Tenham uma boa semana!
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Quarta-feira, Abril 15, 2009
Por que o dedo do meio em riste do jogador Christian incomoda tanto?
Claro que, em um País que não tem qualquer outro tipo de problema legal, judicial, moral, social e político para resolver, aquilo que se faz em um campo de futebol tem de extrapolar as quatro linhas e virar um escândalo. Segundo o delegado do 23º Distrito Policial da capital paulista, Antonio Carlos Barbosa, o jogador foi indiciado no artigo 40 da Lei de Contravenções Penais - conduta inconveniente - cuja pena pode chegar a seis meses de prisão. Ainda bem que ele pode ter companhia, como os ilustres jogadores acima. E nesse meio tempo, 170 toneladas de medicamentos falsos foram apreendidas, incluindo remédios para câncer. Há de ter pena bem rígida para tal crime. Pena que pouco se ouviu falar ou se leu a esse respeito: o dedo de Christian era bem mais importante!
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Sexta-feira, Abril 03, 2009
É tempo de Páscoa. E como tal, um símbolo forte nos vem à mente: a cruz. Foi neste clima pascoal, também dito pascal, que o secretário da Fazenda paulista, Mauro Ricardo Costa, justificou a duríssima condenação da dona da Daslu: “Achei pouco [a pena] porque, segundo informações passadas pelo Ministério Público, ela continuou reincidindo no crime [de importação fraudulenta] cometido anteriormente. Quem sonega está prejudicando não só uma pessoa, mas toda a população. São menos recursos na saúde, na educação, na segurança pública. [Quem sonega] Deveria ser pregado na cruz." Lindo! Quem o corrupto com armadura política está prejudicando? Quais recursos ele drena? E qual a pena “exemplar” que ele merece? A reeleição? E os fretamentos aéreos, os dólares nas cuecas, o nepotismo, serão passíveis de apedrejamento público? Não. De tempos em tempos, precisamos exorcizar nossa incompetência de cidadania com modelos exemplares de punição. Não defendo a sonegação nem a impunidade da Daslu, mas queria ver o igualitarismo triunfar. Utopia que já tive um dia, mas que os fatos trataram de crucificar.
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Quinta-feira, Abril 02, 2009
Esclareço, antes de tudo, que não sou fumante. Aliás, nunca experimentei um cigarro sequer. No entanto, acho bastante abusiva e invasiva as medidas contra os fumantes. Criou-se uma verdadeira Cruzada na tentativa de proteger os pulmões, corações e fetos contra os malefícios do fumo. Acho que o banimento das campanhas publicitárias, a ausência das marcas de cigarro nos patrocínios e até a regulamentação dos maços do produto (cuja eficácia e bom gosto são discutíveis) são tentativas legítimas de desincentivo ao vício. Só queria ver a mesma virulência para com o álcool. Por que não estampar fígados corroídos pela cirrose ou famílias degoladas em acidentes automobilísticos, ao invés de bundas redondas nos anúncios e rótulos de bebidas? Ah! Esqueci que tem o altamente efetivo lembrete, “se beber, não dirija”, nas campanhas publicitárias. Mas quem atrapalha mais um evento social: um bêbado ou um fumante? Quem tem um lobby mais poderoso: a indústria do cigarro (execrada internacionalmente) ou a do álcool, sempre ligada ao prazer e à diversão? Uma pesquisa Datafolha, feita com jovens entre 12 e 22 anos, revelou que 85% dos entrevistados são contrários ao fumo em ambientes fechados. Quantos deles bebem, vomitam a noite toda e, apesar de não se lembrarem de nada do que fizeram, dizem que se divertiram muito? Mas, se você bebe e não dirige, pode “continuar a andar”, como diz o slogan do uísque. Pena que não seja em linha reta.
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Terça-feira, Março 24, 2009
O golfe, apesar de pouco popular, é um esporte interessante. Não pelo jogo em si (muito mais excitante para quem pratica do que para quem assiste), mas pelo sistema de pontuação. O grande lance do esporte é seu "handicap", ou seja, sua deficiência. O objetivo, claro, é diminuir sua ineficiência, mas não deixa de expressar um jeito meio torto de se ver as coisas. Pior quando o mundo do golfe extrapola para a vida real. Aliás, essa é uma filosofia cada vez mais adotada hoje em dia. Exemplinho rápido: a revelação teen, Mallu Magalhães, tem sido amplamente caricaturada por sua falta de expressividade oral. Caramba, ela é uma adolescente de 15 anos! Quantos adolescentes nessa idade tem a expressividade de um Cícero, senador romano famoso por sua oratória? E quantos adultos, também artistas, tem a expressividade de uma ameba recém-alfabetizada? Pouco importa se a garota é uma boa cantora, se compõe adequadamente, se toca vários instrumentos, se tem música em trilha sonora de comerciais de TV: o que é motivo de registro é sua deficiência. Pobres os olhos que sempre, e só, enxergam o copo meio vazio.
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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009
“Para ser grande, sê inteiro.”
Roger Federer entrou em quadra com todo o peso de ganhar mais um Grand Slam e igualar-se a Pete Sampras em número de títulos. Mas tinha de transpor a montanha Rafael Nadal para chegar ao seu objetivo. A escalada foi longa, íngreme e inglória. Perdeu o último e decisivo set. Chorou copiosamente, sem nem mesmo conseguir expressar seus agradecimentos ao grande público presente. Chorou o choro do quase, da perda do sonhado, da dúvida de que terá outra chance. Nadal, por sua vez, foi grande. Em quadra e fora dela. Apesar da grande alegria de seu primeiro título na Austrália, soube ser empático para com a dor do seu oponente. Um jovem grande homem!
Derrotas fazem parte de nosso cotidiano, e entendo que as menos esperadas são as mais difíceis de serem absorvidas. No entanto, são as que devem nos fortalecer mais, nos tornar briosos e tenazes. Elas não são o termômetro de nossas capacidades, senão somente pequenos desvios que nos conduzem ao melhor e real caminho.
Sim, este post tem dono: a competente, agora e sempre brilhante ex-aluna e eterna amiguinha, que me dá a honra da paternidade postiça, e que hoje chora uma perda, Paula. Seja grande e inteira na derrota e na vitória, que hoje pode até ter tardado, mas que não falhará em chegar.
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Quinta-feira, Janeiro 29, 2009
Adoro o James Taylor. Aliás, ganhei um DVD de um show dele que é sensacional! Mas, falei no JT só para citar os versos de um canção que são a base deste post:
“Fortune and fame such a curious game,
Total stranger can call you by name.”
Deve ser estranha mesmo essa tal de fama. Especialmente quando ela vem atrelada ao enriquecimento rápido e fácil, e para pessoas que não têm preparo algum para lidar com ela. Vejam os atletas, estrelas “pop” da música e do cinema e televisão, pessoas para quem o sucesso trouxe o reconhecimento público e muito dinheiro. É incrível a facilidade (ou será necessidade) que elas têm de se envolver em escândalos e fofocas, de romper relacionamentos, de macular sua imagem pública que deveria servir de exemplo. Será o despreparo exclusivamente culpa, em muitos casos, da falta de cultura? Ou será que o marketing acaba por criar um ser que se julga acima do bem e do mal?
Bem, e já que comecei popular, termino erudito, com a estrofe 95 do discurso do Velho do Restelo. Olha o Camões aí, gente:
"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
C’a aura popular que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!"
Be happy!
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Terça-feira, Janeiro 20, 2009
É inevitável não falar de Obama. É impossível negar que nos revigoramos com a possibilidade de um mundo diferente e melhor. É quase catártico ver que o ideal de muitos se concretiza depois de tanto tempo. É revigorante saber que há muita gente que se emociona com o sonho de um futuro diferente. É melhor ainda poder traduzir tanto em tão poucas palavras: “Yes, we can.”
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Segunda-feira, Janeiro 19, 2009
Há pessoas que estão, indubitavelmente, à frente de seu tempo. Hoje em dia, falar em preservação ecológica e proteção ao meio ambiente virou moda e necessidade. Interessante é saber de iniciativas antigas, do tempo em que se achava que tudo era eterno.
Tivesse Abraham Lincoln nascido no Nordeste, seria chamado de cabra porreta, e com razão. De origem humilde, chegou à presidência dos Estados Unidos. Nada a ver com a recente história do nosso país, pel’amordeDeus. Pois vejam só: nos idos de 1864, em parceria com o estado da Califórnia, decretou proteção da área então chamada de Mariposa Big Tree Grove, e que hoje conhecemos como o Parque Nacional Yosemite. E sabem por quê? Porque ele achava que as sequóias, árvores gigantes com mais de cem metros e mil anos de idade, deveriam viver em paz. E pensar que ele foi o primeiro presidente eleito do Partido Republicano (o mesmo do Bush, by the way.)!
Ah! E olhem que bacana: o nome sequóia vem de um líder indígena Cherokee (não, não foram eles que inventaram a perua), Chief Sequoia, que, dentre outras coisas, foi o inventor do seu alfabeto. Ainda bem que o mundo teve, tem e, espero, sempre terá pessoas visionárias e empreendedoras, pois, como já bem disse Jimmy Cliff, “we all are one”.
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Domingo, Janeiro 18, 2009
Show de Elton John. Gosto dele, antes mesmo do seu título de “sir” ou da mudança radical de “Candle in the Wind”. Originalmente, a música foi composta sobre a vida de Marylin Monroe. “Goodbye, Norma Jean”, diz o primeiro verso, mas virou “Goodbye, England's Rose” quando da morte da Princesa Diana. Na apresentação em São Paulo, ele cantou a versão “original”. Legal, já que houve fãs mais recentes que disseram gostar dele desde a “música da princesa"!
Contudo, não quero comentar sobre a apresentação em si, mas sobre o fato de eu ter começado a vê-la na Rede Globo e ter terminado no Multishow. Tudo ia muito bem, quando, de repente, entram os indefectíveis comerciais! Só que se esqueceram de avisar o Elton e ele continuou a cantar. Pensei com os botões da minha almofada: “vão eliminar uma canção”. Que nada! Sir Elton John fazia duas apresentações distintas, cantando músicas diferentes e tudo, uma em cada canal. O cara é bom ou o quê?
E a Globo continua a mesma. Desrespeita descaradamente a sua própria atração e seus telespectadores. Entendo que é necessário passar aquele comercial brilhante da Petrobrás, que justifica seu patrocínio ao surf com a infeliz frase: “vida de surfista é difícil, por isso que a gente apóia”, ou algo próximo a isso. Ou aquele das Casas Bahia em que o locutor histérico grita um “gratuito”, forçando a tônica na letra “i”, quase matando meus tímpanos. Isso sem falar que o Multishow disse que “I’m Still Standing” era “Crocodile Rock”. Justo “ Crocodile Rock” cujo refrão lá-lá-lá-lá-lá foi cantado pelos quase 30 mil fãs no Anhembi, tal qual os muppets da Vila Sésamo.
Muppets da Vila-O-Quê? Bem, quem viu, viu. Quem não viu, tem o Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=VGVjV--bSTw&feature=related
Beijos e bom domingo!
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Sexta-feira, Janeiro 16, 2009
Historinha rápida.
Era o fim de um delicioso jantar na companhia de queridos amigos. Não me lembro porque cargas d’água vem à baila a palavra baitola. Ah, lembrei! Um dos amigos voltara há pouco do nordeste e estava comentando o regionalismo. E, como sempre, há a inevitável pergunta se sabemos o porquê do termo. Não fazia a menor idéia da etimologia, mas poderia jurar que era uma contribuição de algum dialeto africano para a língua portuguesa. E o assunto morreu por aí, até a manhã seguinte. Como bom curioso, fui Googlear e encontrei uma explicação que achei tão interessante que parecia improvável. Vamos confirmar no Houaiss. Pergunta inevitável: por que não foi lá primeiro? Resposta: meu laptop pesa menos da metade do dicionário! Conclusão: pura preguiça. E não é que a tal explicação estava certa! Ficou curioso? Então lá vai:
Pela cultura popular, na construção das estradas de ferro no Nordeste havia um capataz inglês com ares um tanto afeminados e que era muito rígido, principalmente com a bitola (medida-padrão usada na construção ou na indústria) dos trilhos. Como tinha o sotaque da língua inglesa, o capataz pronunciava "baitola" em vez de bitola, o que originou seu apelido entre os operários e acabou espalhando-se pela região e, atualmente, pelo país.
Viu, o que parecia complicado, é tão simples quanto isso. Inté!
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